Nos dias 3 e 4 de agosto, 36 mulheres — mães atípicas, negras, muitas delas mães solo e em vulnerabilidade social — participaram de curso de padaria artesanal em São Luís. A iniciativa foi promovida pelo Instituto Missão Jovem (IMJ), em parceria com o Instituto Cecília, a CIEDS e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDES).
As aulas ocorreram no Restaurante Popular da Vila Embratel, cedido pela secretaria. O Sesc ofereceu instrutores e certificação, junto com professores da SEDES. A coordenação geral foi de Carolline Abreu, representante do secretário Paulo Casé Fernandes.
O curso integra o projeto Maternidade Atípica, do IMJ, que atende 100 mulheres na área Itaqui-Bacanga com apoio da CIEDES e da SEDES. A coordenadora Ieda Maria ressaltou que a capacitação representa oportunidade concreta de mudança de vida.
A secretária adjunta de Segurança Alimentar, Lourvidia Caldas, foi lembrada pela articulação. O presidente do IMJ, Josué Paulino, agradeceu ao governador Carlos Brandão e destacou que o projeto alcança famílias abaixo da linha da pobreza.
Além da produção de pães, foram ensinadas técnicas de salgados e gestão de pequenos negócios. Para Matra Silva, coordenadora de projetos do IMJ, a formação soma-se a outras capacitações já oferecidas.
Iniciativas como essa fornecem ferramentas imediatas de sobrevivência, mas também revelam contradições. Mulheres negras e periféricas seguem dependentes de ações pontuais, quando o desafio deveria ser políticas públicas permanentes de inclusão produtiva.
O risco é que a profissionalização funcione apenas como alívio temporário — o pão que mata a fome de hoje — sem enfrentar a fome estrutural de renda, reconhecimento e direitos que essas famílias carregam há gerações.







